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Roteiros Turísticos no Rio Grande do Sul

RESTINGA DO LITORAL SUL DO RGS - PALMARES DO SUL - MOSTARDAS - TAVARES

Esta é possivelmente a mais deserta e esquecida região do RGS; a restinga que se estende por cerca de 250 km, desde a latitude aproximada de Porto Alegre, até as cidades de São José do Norte e Rio Grande, na ligação da Lagoa ( laguna? ) dos Patos com o mar, cuja estrada de acesso tem hoje mais da metade de seu percurso pavimentado, permitindo a ligação direta das principais sedes municipais do percurso com a capital. A pavimentação já atinge PALMARES ( do Sul ), MOSTARDAS e TAVARES e dali mais 18 km, deixando antever a próxima conclusão das obras que avançam também a partir de São José do Norte.

Essas localidades e sua população sofrida ( e de estatura média bem menor do que estamos acostumados a encontrar em outras áreas do RGS ), ligada ao mundo pela famosa "estrada do inferno", passaram a usufruir do conforto mínimo do acesso pavimentado e ali se abre a mais recente e extensa fronteira de expansão econômica do RGS, pela intensa atividade que se observa em alguns setores como reflorestamento, que ocupa segundo alguns cálculos, 120 mil hectares ou cerca de um quarto das terras da região.

Para chegar à RST-101, a partir de P ALEGRE, passamos por VIAMÃO, cidade ao largo da qual todos passam mas poucos visitam e cuja antiquíssima Igreja Matriz, construída e revestida com argamassa que incluiu óleo de baleia como aglomerante e além dos belos altares laterais, uma bonita fachada (  foto ) de janelas incomuns e já foi objeto de tanta publicidade e até marca de um dos melhores vinhos do RGS, ali produzido nas décadas de 70 e 80.

Já pela altura de Águas Claras / VIAMÃO, vemos um alerta de quem é que manda nesse pampa inóspito, com as ruínas de um grande pavilhão agrícola ( foto ), esmagado pela pressão dos ventos de tempestades não tão recentes assim. A estrada se estende na direção oeste-leste, de CIDREIRA / PINHAL e outros balneários menores, cruzando planícies de cultivo de arroz e criação de bovinos e ovinos, enquanto silhuetas preguiçosas de lagoas rasas se estendem paralelas aos horizontes, até CAPIVARI DO SUL, onde trocamos da estrada oeste-leste para a RST-101, que nos levará do norte-sul, inicialmente a PALMARES DO SUL e onde começa a intensa atividade de reflorestamento ( foto ) de eucaliptos entremeados de apiários ( foto ), mas principalmente de pinus, árvore exótica que tão bem se adaptou a nosso clima e onde desenvolve com rapidez inalcançável em suas regiões de origem, e que abastece a industria moveleira e de construção gaúchas.?

Além da atividade apícola, que temos notícia ser importante e desenvolvida com boa técnica e produtividade nessa região, em associação ao cultivo de eucaliptos ( que consta produzir um quilograma de mel por árvore de porte por ano ), vimos uma propriedade com criação de avestruz ( ou emas ? ) ao longo da rodovia ( foto ), mostrando que há empreendedores testando diferentes potenciais produtivos da região.

No CECLIMAR de IMBÉ, ligado à UFRGS, há fotos de satélite de 3 décadas atrás, mostrando essa região de restinga ( faixa de areia entre lagunas e mar, resultante da deposição de areia pelas correntes marinhas litorâneas ), sem nenhuma ou com rala vegetação e hoje a viagem tanto pela beira do mar quanto pela RST-101, mostra enormes extensões de florestas homogêneas ( foto ) de propriedade de diversos grupos econômicos ( Renner Hermann / Flosul, Madem, Isdra, Ari Leite, entre outros ), chamando a atenção dos interessados tanto em ecologia quanto na economia do RGS.

Na Flosul / CAPIVARI DO SUL, o gerente Raul mostrou-me partida de madeira sendo preparada para remessa à Belém do Pará, apoiada no "Selo Verde" da empresa que só trabalha com madeira plantada, exemplo eloqüente do potencial da produção madeireira dessa região até há pouco esquecida do RGS.

Nos restaurantes de beira de estrada em frente à Flosul, os motoristas dos caminhões que chegam trazendo madeira cortada das florestas ou que saem levando madeira beneficiada para exportação ou mercado interno e os que levam madeira picada dos resíduos do processo para queima nos fornos de indústrias cerâmicas de SC, fornecem variadas informações sobre cotações ( R$100,00 = U$40,00 / ton de cavacos de madeira piscada para queima em fornos cerâmicos ); importância econômica dos empreendimentos envolvidos; distâncias de transporte e momento mais ou menos favorável de cada atividade da região.

Além da madeira ( e consequentemente diversas madeireiras como a da foto ) e da pecuária, as alternativas econômicas da região e seus solos arenosos e pobres pouco avançam além do cultivo da cebola ( foto ), produto pouco compensador e de preços muito oscilantes, principalmente pela impossibilidade de estocagem, pois conserva-se mal e por pouco tempo e não admite congelamento, esmagando o produtor com cotações irrisórias no período da safra, enquanto o consumidor enfrenta preços altos na entre-safra, comprando cebola vinda de locais remotos e pagando fretes elevados.


PALMARES é a maior cidade da região e tem uma população de apenas 12.600 habitantes. O prédio da PM chama a atenção pela ordem e limpeza e na recepção uma foto aérea mostra de imediato as dimensões da cidade, sua planta viária e principais prédios, além de situar o rio que lhe banha e limita ao sul, protegido pela mata ciliar variada e cuja margem abriga o antigo porto da cidade e hoje funciona a Cooperativa Orizícola ( foto ) que escoa parte do arroz produzido no município. Na recepção, procuramos primeiro com a sra Noemi, alguma informação sobre os principais atrativos turísticos oferecidos pela cidade e seus arredores.

A PM está integrada à Internet e recebe mensagens no pmps@terra.com.br e no rs036088@pro.via.rs.com.br . No gabinete do Prefeito João Tadeu Vasconcellos da Silva, que nos sugeriu os pontos de visitação e passeios mais procurados e atraentes do município, a secretária Elise Lessa forneceu detalhes sobre a cidade e mostrou um extenso trabalho de pesquisa, com a história do município; mapas e fotos dos primeiros prédios e fatos históricos; estudos sobre as origens da população e a estrutura de produção econômica e atrativos turísticos.

Visitando a Peixaria Zingara, onde soube da importância da pesca na lagoa para muitas dezenas de famílias que vivem naquele local ( foto ) com a ajuda de um dos proprietários, Julio Cezar Rechmacher, tratamos com um pescador um passeio pelo rio Palmares até as proximidades da foz da lagoa do Casamento, em verdade, parte da Lagoa dos Patos. Paisagens bonitas, água calma escorrendo preguiçosas, cerca de um metro apenas abaixo do nível da planície e da cidade em torno; mata nativa variada nas margens, embora com pouca largura em alguns pontos, com aguapés, e cactos convivendo num mesmo local ( foto ); biguás trincando o espelho da água e muitos outros pássaros silvestres nos arbustos praticamente dentro da cidade.

Além do balneário de Quintão, situado no município e da Prainha, situada na foz do rio Palmares na Lagoa do Casamento; da Lagoa da Porteira, com belas paisagens campeiras e variada fauna, PALMARES orgulha-se das orquídeas nativas de suas matas e promoverá em outubro/2001 uma festa de promoção turística da cidade ( divulgada entusiasticamente em cartazes e folhetos ), centrada na abundância dessas flores.

Infelizmente e como em todo lugar, vemos lixo lançado ao rio ( foto ) por quem desconhece o dano que causa à água que bebe, à paisagem, à pesca e ao turismo (economia) do lugar em que vive. É "tiro no pé".

Em uma hora de barco, se vai à Ilha Grande ( mapa __ ), no lado oposto da Lagoa do Casamento, na junção com a Lagoa dos Patos, que consta ser propriedade privada mas aberta à visitação, passeios e acampamentos de pesca e/ou fim de semana e apesar de não oferecer estrutura turística, tem locais e paisagens sobre a lagoa muito bonitos.

A cidade tem hotéis simples: Pensão Lopes, Big Hotel e Palmares Shopping Hotel, todos com recursos variados e preços acessíveis, sendo o último o mais novo e ainda em fase de conclusão de alguns apartamentos, enquanto já funciona em meio a lojas e lanchonetes de uma espécie de centro comercial, mas recomenda-se ao visitante examinar pessoalmente os quartos dos hotéis e preços antes de escolher.


MOSTARDAS, com população de 9.400 habitantes, é a maior cidade da região ( única das 3 citada no Guia 4 Rodas de 2000 ) e tem ruas em esquadro, aparentando plano urbano, ainda que simples. A praça central é graciosa - apesar do medonho reservatório de água da Corsan, costume infeliz de outras épocas - e abriga um quiosque de promoção e vendas do artesanato Mostardeiro, de lã natural, tradicional do município.

O artesanato de lã crua é largamente incentivado pela Prefeitura Municipal de MOSTARDAS, que mantém um prédio ( foto ) onde mulheres como a sra Janete lavam os velos de lã ( foto ) e os põe a secar em varais ( foto ); selecionam a lã por cores ( preta, parda, cinza e branca ) e removem pedrinhas e gramíneas misturadas, depois cardam a lã dos velos para servir às rocas de fiar; fiam a lã em novelos redondos ( fotos e ) que depois vão para os teares muito rústicos, onde a lã é trançada com fios de algodão ou lã mesmo ( fotos ), para finalmente serem ou não cardadas, dependendo do acabamento desejado para a peça, que costuma variar do tapetinho de telefone (?!!), de grande procura, ao cobertor de casal, passando pelo chergão, ponchos e pelos tapetes laterais de cama.

A PM de MOSTARDAS credenciou e padronizou produtos e preços e abrigou-os sob a tradicional marca "Mostardeiro" e faz a comercialização aos visitantes no quiosque da praça, da produção de todos os artesãos e artesãs, sem limitar a atividade direta de 14 artesanatos caseiros que se somam ao da PM, num trabalho exemplar de promoção social em que se "ajuda a pescar em vez de dar o peixe" e que me foi exposto pela sra Mara, coordenadora das atividades do galpão de artesanato e pelas funcionárias da PM de MOSTARDAS que se revezam em turnos no quiosque e confirmado pelas artesãs independentes que visitei em casa.

Vimos na cidade quatro hotéis simples - Schaeffer, Municipal, Mostardense e São Luiz - com preços modestos, mas novamente recomenda-se ao visitante examinar pessoalmente antes de escolher.

No contorno da praça, além da Igreja Matriz e de um casario antigo nos alinhamentos de calçada - do qual é bom exemplo o pequeno hospital local, denunciando a tradição ibérica da região - visitamos a rua XV de Novembro, de casas baixas e telhas portuguesas, com pequeno comércio e passeio de pedestres, bancos e canteiros de flores ocupando toda sua largura sem carros, uma típica e agradável rua de pedestres ( postal __ ).

No lado oposto da praça, encontramos o escritório do IBAMA, que administra o Parque Nacional da Lagoa do Peixe ( lagoadopeixe@terra.com.br ), cuja maior parte em verdade está situada dentro do município de Tavares e funciona em antiga agência bancária do Sulbrasileiro, com apenas três funcionários: Eda e Ireno, e a chefe Luisa J S Lopes, veterinária mineira responsável pelo Parque Nacional e que já morou em Rondônia antes de escolher MOSTARDAS para viver.

Dra Luisa discorre com notável conhecimento e segurança sobre a Lagoa do Peixe e sua importância para o equilíbrio ambiental da região e mesmo em termos mais amplos, já que se sabe que aves migratórias vem de mais de 12.000 km de distância para passar nesse eco-sistema a primavera e parte do verão do hemisfério Sul, sem falar nas dezenas de espécies nativas. Informa sobre as poucas vias de acesso e os cuidados recomendáveis aos visitantes conscientes, que podem desfrutar da observação da natureza, das paisagens fascinantes e dos animais, sem interferir negativamente em seu comportamento e equilíbrio. Mostram-me um ?painel com fotos de excelente qualidade tendo por tema os animais e paisagens do Parque Nacional, oferecidas por visitantes com sensibilidade e alta qualificação em fotografia.

Embora a equipe do IBAMA não se queixe aos visitantes, fica claro de que o órgão não tem veículos nem pessoal para vigilância e proteção do Parque Nacional, que tem 34.400 há´s ( mapa __ ) e ainda não está sequer desapropriado em sua totalidade, resultando no transito permanente de moradores, proprietários e visitantes de motivação variada, em uma teia interminável de estradas e trilhas, tanto pela praia quanto a partir da RST-101.

O acesso mais fácil e seguro se faz pela beira do mar, a partir do prolongamento da avenida de entrada de MOSTARDAS, em estrada de terra com cerca de 13 km, dos quais os primeiros 8km são ensaibrados e em regular estado de trafegabilidade e os últimos 5 km são trilhas sobre areia úmida, seguindo o roteiro da rede elétrica.

Já no balneário Mostardense, diversos caminhões frigoríficos estacionados - boa parte deles com placas de Santa Catarina - chamam a atenção e induzem a perguntas ( aos motoristas e funcionários da lanchonete onde estes costumam passar o tempo de espera ), sobre sua atividades ali e fico sabendo que buscam tainha, linguado, papa-terra e outros peixes, pescados em redes de arrastão dispostas ao longo do litoral Sul do RGS, além de camarão, capturado nas lagoas desse litoral, inclusive na Lagoa do Peixe, e que depois serão vendidas nos mercados de Laguna ( pasme! ) e Florianópolis.

No percurso de 35 km, desde este ponto até a barra da Lagoa do Peixe, encontram-se dezenas de cabos de redes dispostas no mar e que serão recolhidas por tracionamento com caminhonetes; pilhas de caixas de PVC ( foto ) para coleta e transporte do pescado pelas caminhonetes dos pescadores até os caminhões frigoríficos dos compradores; vários locais de descarte de entranhas de pescado ( foto ), limpos na própria praia; milhares e milhares de pássaros, do João Grande à "Maria sem vergonha", passando pelas diversas variedades de gaivotas, que se alimentam sem esforço desse descarte de proteína.

Quando manobramos para aproximar o carro dos bandos de gaivotas pousadas na areia, notamos que se movimentam de modo a ficar sempre de costas para os intrusos que somos, o carro e eu, facilitando-lhes alçar vôo e a fuga.

Ao longo do percurso litorâneo, encontramos desde equipes com camionetes modernas e com tração 4x4, até antigos VW, com bancos de tábuas amenizadas por pelegos e lataria completamente remendada a martelo, em fundo de quintal, como que saídos de um cenário "Mad Max", tanto pelo carro quanto pela miserabilidade dos proprietários, pescadores ocupados em estender seu espinhel rumo ao almoço ou jantar ou ao nada.

Com auxilio do acaso, o viajante encontra ao longo desse litoral filhotes de leões marinhos ( foto / ), focas, pinguins ou eventualmente animais de maior porte como orcas e baleias francas, vivas nas margens ou mineralizando na areia da praia.

Na barra da Lagoa do Peixe, umas poucas casas restantes da antiga vila de pescadores ( foto ), que chegou a ter duas pousadas precárias muito conhecidas dos pescadores amadores do RGS, resistem à proibição de ocupação econômica e moradia naquela reserva ambiental após a Lei que criou o Parque Nacional da Lagoa do Peixe, enquanto pescadores de subsistência pescam com tarrafa ( foto ) na foz do canal.

O outro acesso, dentro do município de TAVARES, dá acesso ao interior do Parque da Lago do Peixe, diretamente a partir da RST-101, cerca de 10 km ao norte dessa cidade, por estrada de cerca de 9 km de trilha precária, cujos primeiros 3 km são elevados e secos; 2,5 km são baixos e parcialmente cobertos pela lagoa em períodos de muita chuva e barra fechada junto ao mar e onde estão trechos de turfa ( foto ), de alto risco de atolamento e que incluem 3 pontes precárias ( foto ), finalizando com cerca de 3,5 km de trilha sobre o leito arenoso da lagoa, de traçado variável, a partir da "tentativa e erro" dos moradores da vila do farol de Mostardas ( fotos e ) que por ali costumam encurtar caminho ( mais longo pela beira do mar ), até chegar-se à linha da praia ( foto ), onde esse caminho entre as casas se confunde com tantos outros desaguadouros de canais que drenam as dunas e lagoas e vão desaguar na praia.

Viajando após alguns dias de tempo seco, fizemos todos esses percursos com um Fiat Premio 92 ( carro sem tração especial ), mas em períodos mais chuvosos, é unânime entre as pessoas com quem conversamos, a recomendação de uso de veículos tracionados 4x4 para poder vencer essas dificuldades então agravadas.

Sabendo-se que a pesca e a captura do camarão estão proibidas na Lagoa do Peixe e na praia, é inevitável refletir sobre o impasse ético entre o direito da Lei - fundamentada no conhecimento científico de técnicos altamente qualificados e na vigilância mantida pelo Poder Público - de impedir o acesso à pesca e à captura de camarão, pela população que está ali há séculos, sobrevivendo exatamente da exploração desse recurso, agora percebido pela Sociedade, como ameaçado de extinção.

Como fazer cumprir a lei sem oferecer-lhe alternativas de subsistência e sem jogá-la à marginalidade?
Por outro lado, como aplicar a lei, em Parque ainda não desapropriado e repleto de estradas e trilhas que lhe dão acesso ao interior, cruzando de propriedades ainda não indenizadas ? Tudo isto sem veículos nem pessoal qualificado ou quantificado para missão dessa natureza ?


TAVARES, com população de 5.100 habitantes, é a mais pobre das cidades visitadas e fica evidenciada suas carências ao visitante, já ao ingressar na rua principal - com pistas desnecessariamente largas ( e caras ) para uma cidade tão pobre - com amplo canteiro central em que também encontramos um quiosque de promoção dos produtos locais, principalmente artesanato de lã, junto à canchas esportivas e equipamentos de lazer infantil, com farta iluminação - local de reunião da comunidade, que conta inclusive com um palanque de concreto, sempre pronto para os eventos sociais e políticos da cidade.

A arquitetura da maioria dos prédios não apresenta uma característica predominante, embora haja numerosas construções alinhadas no passeio, com alguma influência açoriana e a capela de Santo Antônio apresente-se como uma bela construção, digna de citação, foto e visita.

A hotelaria se resume ao hotel Brum - paralizado por tratamento de saúde do proprietário em P Alegre, na ocasião de nossa visita - e ao hotel Paiva, em frente à praça, com atendimento muito gentil e saborosa comida caseira no restaurante, mas modestíssimo nos quartos, resultando total falta de alternativas ao visitante.

Como é na área de TAVARES que se encontra a maior parte do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, mas é MOSTARDAS que acessamos antes e abriga o escritório do IBAMA e tem mais recursos, o pouco turismo ?gerado pela visitação ecológica ao Parque, não parece beneficiar a economia de TAVARES.

Na Prefeitura Municipal, onde buscamos informações sobre o município e seus atrativos, fui atendido pelo Vice-Prefeito - e ex-Secretário da Cultura em gestão antiga - sr Luiz Agnelo Chaves Martins, afetuosamente chamado de "Gordo" pela população, pessoa interessantíssima, que resumiu-nos a rica e surpreendente cultura popular de TAVARES, que além de corrida de cavalhadas, com lutas de "mouros e cristãos" - que o pesquisador Paixão Cortes explicava e coreografava no Correio do Povo de 4 décadas passadas -uma espécie de sambaquis denominados "quicumbis", abriga tradições e manifestações populares pouquíssimo conhecidas, de origem afro-riograndenses como ternos juninos, de reis e de santos padroeiros, cantigas e cantos de trovadores, danças típicas do litoral, e para minha surpresa, tem um Rei local, o Rei do Congo, escolhido entre os descendentes da tribo africana predominante que constituiu a população escrava da região e preservou sua cultura e tradições, permeando os costumes da comunidade branca. ?

Até mesmo na culinária, Luiz Agnelo identifica peculiaridades da região, como o feijão doce, entre outros pratos e iguarias, que não conseguimos encontrar nos restaurantes que visitamos.

É inevitável perguntar-se dos motivos de tal variedade cultural ser tão pouco conhecida e promovida como forma de atração turística à cidade.

O Vice-Prefeito Luiz Agnelo forneceu-nos um folheto com depoimento do pesquisador e historiador regionalista ( entre tantas outras qualificações ) Paixão Cortes sobre este assunto em encontro de Prefeitos do Litoral, em1988 e a partir disto procurei o historiador, que reforçou o depoimento de Luiz Agnelo, atribuindo à região visitada, a origem de todas as tradições e cultura popular gauchesca, hoje disseminadas por todo o RGS.

No percurso da cidade à praia da Lagoa dos Patos, chamou-nos a atenção uma propriedade com galpão, trator, canteiro de preparação de adubo orgânico, irrigação e extensos canteiros de legumes ( foto ). Conversando com o proprietário Jair, ouvimos uma interessante história pessoal de iniciativa, coragem e dedicação técnica, com resultados animadores e que deveriam exemplar a ação de outros tantos produtores nesta região da metade sul do RGS em geral, onde proprietários de milhares de hectares de terra cultivam arroz e criam bovinos para venda e ovinos para o consumo, mas compram leite em caixinha no supermercado, com laranjas de TAQUARI, alface de PORTÃO e tomates de S. PAULO.

Numa região onde raramente se vê horta ou pomar ( comuns nas colônias italiana e/ou alemã ), Jair instalou-se com os parcos recursos da venda de 6 há´s em SC e em apenas 8 meses de trabalho duro, já colhe 3,5 há´s de verduras e legumes ( fotos a ), que cultiva sozinho, com a ajuda possível de um filho de 11 anos e seu conhecimento de técnico agrícola e tem produção para vender na CEASA de P ALEGRE e se entusiasma ao falar de seus planos futuros, com a mulher e 3 filhos ( um deles já nascido aqui na sua Canaã ).

Após o percurso - não sem sustos - dessa estrada que leva à Lagoa dos Patos, chegamos próximo ao Farol Capão da Marca ( foto ), possivelmente o mais gracioso de todos quanto sinalizam a restinga, pelo Atlântico ( Torres, Arroio do Sal, Capão da Canoa, Tramandaí, Cidreira, Berta, Solidão, Estreito, Mostardas, Conceição, Barra, Molhe Leste, Molhe Oeste, Sarita, Verga, Albardão e Chui ), seja pelo "mar de dentro" do RGS que é a Lagoa dos Patos ( Itapuã, Cristovão Pereira, Capão da Marca ).

Enquanto os cavalos vão marcando com as ferraduras o asfalto do acostamento da estrada, amolecido pelo sol ( foto ), da mesma forma que o progresso econômico é marcado e não pode ignorar os hábitos e valores culturais do povo das comunidades onde chega e transforma, pois a sabedoria está em harmonizar as tradições mais caras às pessoas do lugar, com a melhoria da qualidade de vida para todos.

De certa forma, "lição de casa" que TAVARES precisa fazer rapidamente, se a população pretende tirar proveito das transformações que por certo vão afetar a região com o acesso pavimentado, usando o rico potencial cultural que tem para oferecer a um RGS tão esquecido de si mesmo e tão encantado com a cultura pasteurizada dos Shopping Center´s, é justamente organizar o acervo cultural ainda disponível e incentivar os grupos populares que cultivam tais manifestações, valorizando-as e ampliando sua divulgação, tanto local como regional e nacionalmente; reuni-los e integra-los em instituições culturais e os CTG´s são o caminho espontâneo e óbvio, mas antes de se fazer conhecida pelos gaúchos, brasileiros e até estrangeiros, a rica e variada cultura que Luiz Agnelo e Paixão Cortes conhecem, deve ser melhor conhecida pelo povo local.


Como conclusão, diria que devemos não só conhecer melhor esta região de nosso Estado - face à riqueza cultural que ela detém e involuntariamente esconde - como prestar muita atenção nela, pois a conclusão do asfaltamento da RST-101 até S JOSÉ DO NORTE, vai dar escoamento à madeira de exportação da região por RIO GRANDE, com percurso de menos de 200 km, ao contrário dos 520 a 530 km hoje necessários para contornar a Lagoa dos Patos; a pavimentação permitirá que o trafego vindo de RIO GRANDE e mesmo PELOTAS à P ALEGRE e nordeste do RGS e vice-versa, tenham um caminho alternativo, sem enredar-se no transito da capital e com direito à visitação das atrações dessa esquecida faixa litorânea como o Parque Nacional da Lagoa do Peixe, que talvez acabe "descoberto" e visitado mais pelos argentinos e uruguaios a caminho de SANTA CATARINA, do que pelos gaúchos, que parecemos só ver atração turística em GRAMADO.

Quanto ao potencial de produção agrícola para abastecer aos maiores mercados consumidores da Região Metropolitana, o futuro não parece tão nítido, pois os solos são pobres de nutrientes e carecem de correção onerosa e as terras, pelas informações que tivemos, estão estranhamente caras, mas o potencial madeireiro da região é tão importante que muito ainda está por ser feito, inclusive com a instalação de industria moveleira, de casas pré-fabricadas e outras alternativas de beneficiamento da madeira que agreguem mais valor e mão de obra, gerando trabalho e riqueza para a população local.


Bibliografia:
- Material de divulgação turística das Prefeitura Municipais de Palmares do Sul, Mostardas e Tavares ;
- Reportagem de Zero Hora de 25 / 11 / 96, pg 62 ;
- Caderno Especial da série Paraísos, da Gazeta Mercantil - RGS, de 21 / 09 / 98 ;
- Faróis da Solidão - Edição de brinde da Riocell - RGS ;
- Guia Quatro Rodas ano 2000 ;
- http://www.paginadogaucho.com.br/lpeixe/index.htm;
- www.paixaocortes.com.br;
- www.ibge.gov.br;